quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Votar e mudar


E lá vamos nós, o povo brasileiro no seu exercício de cidadania, a caminho de mais uma eleição. Votaremos para presidente, governador, senadores, deputados federal e estadual. Temos em nossas mãos a mudança, a elevação, o fim dos vícios de poder de certos políticos. A pergunta é: O que mudou, o que melhorou?
No estado do Maranhão, vivemos uma luta contínua para tirar uma família do poder. É difícil, já que nem mesmo o voto, a vontade do povo, eles respeitam. O Maranhão é um dos estados mais pobres do país, mesmo com ricas cultura, culinária, natureza. A família Sarney, não nos deixa crescer, evoluir, mais do que a riqueza que acumularam ao longo de cinquenta anos e à custa da miséria e ignorância do povo brasileiro, especialmente os maranhenses, eles se deleitam no poder. Poder esse que exclui qualquer possibilidade de melhora na educação, saúde, emprego, saneamento do nosso povo. Falta-lhes o básico, água tratada e um prato de comida descente.
Vamos mudar, Roseana Sarney não é Lula, Dilma ou qualquer outro presidente que vier a ser eleito. O governo federal não vai excluir o Maranhão de seus orçamentos se nos livrar-mos dessa família. Acredito sinceramente, que no aconchego de seu lar, sem alianças partidárias, sem pressões, sem dívidas e favores, nem é para os sarneys que torcem Lula e Dilma.
O fato de Roseana Sarney ter roubado o governo de Jackson Lago e ter inaugurado várias das obras que ele executou, não faz dela uma boa governadora. O fato de ela estar tentando a todo custo denegrir a imagem de Flávio Dino, não faz dela uma boa pessoa, o fato de ela gastar mais com propagandas que obras não significa que ela seja atuante. Caráter, dignidade, amor, respeito, estão presentes em muitas famílias maranhenses, mas não em todas.
Domingo temos mais uma chance de mudar o Maranhão e melhorar o Brasil. O povo pensa e assim sendo deve votar em quem pensa no povo. E que danem-se os (NÓIS), pra que prevaleça o (NÓS).

Tiara Sousa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Até logo ou adeus


Meu corpo, teu corpo e um infinito em nós. Alguns beijos, não são somente beijos, são a ocupação de um vazio que parecia nem ter fim. Você foi. mas eu vou te buscar das formas mais imprecisas, com todo o idealismo possível, nos meus sonhos, nas minhas neuras, nos poemas que não li, nos filmes que não vi, nos contos que não conheci, nas canções que não cantou pra mim. Porque eu preciso viver essa paixão, preciso que ela seja vivida com naturalidade, como um romance de novela, com começo, meio e fim, ainda que eu a viva sozinha ou de lembranças. O que você está fazendo agora, com quem está, no que está pensando, eu não sei, eu sinceramente não quero saber, a dor da tua ausência presente em todo o meu corpo já me faz companhia, não quero novas dores, só desejo que esteja bem e que me queira bem. Pois eu te quero, bem ou mal, alegre ou triste, rico ou pobre, sóbrio ou ébrio, eu te quero.
Eu posso adiar o máximo, andar pelos cinemas, pelas lanchonetes, pelas exposições, pelos bares, mais vou chegar em casa e encontrar o mesmo vazio no meu quarto cheio de recordações. Vão me paquerar por aí, talvez tentem me curar dessa paixão, dessa saudade, dessa química, talvez até tenha cura. O fato é que eu não quero a cura, não necessito de outra boca me beijando, de outra mão me tocando, de outro alguém. Eu quero sentir essa dor intensamente a espera de esperar por você enquanto o meu corpo desejar o teu corpo e nenhum corpo mais.
Sei que escrevo contraditoriamente, falando eu sou prática, escrevendo eu sou uma romântica incorrigível, é que eu não sou lá tão destemida quanto pareço, eu tenho medo do escuro, do amanhã, dos olhares que reprovam e me protejo de tudo e de todos, do estranho, do novo, do casual. Escrever me dá a liberdade que eu respiro, de não ter medo de nada, nem de ninguém e então posso contar tudo que me dá medo. E como eu tenho medo. Temo nunca mais te ver, temo te ver outra vez, temo não te tocar novamente, temo voltar a te tocar, temo te ouvir dando thial e indo pra longe, temo a tua volta, temo não viver essa paixão intensamente e sem interrupções, temo viver essa paixão. (Tiara Sousa)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Enquanto fingimos nos importar...


Observo as estrelas, constelações que unem-se pra enviar recados aos homens sem esperança. Vejo estradas, sombras; Horas que demoram a passar; As ruas estão cheias de pedintes, são estas um espelho da sociedade.

O governo diz que o progresso está por vir, mas há anos o progresso vem e nunca chega na casa dos mais humildes. Eu acendo um incenso pra afastar as energias ruins do meu quarto, no entanto continuo a ter pesadelos.

Na faculdade receberemos a visita de um renomado professor, que irá nos falar sobre as novas regras de ortografia da língua portuguesa. Eu não consigo fixar uma só regra, penso na África, nos homens, mulheres, crianças morrendo de fome, de Aids, de dor.

Vou dormir cedo nesta sexta-feira, no conforto da minha cama vou assistir a novela em que ninguém passa necessidade e escolher entre meus inúmeros vestidos caros um perfeito para apresentar um seminário tocante sobre a miséria de alguns povos.

Minha mãe vai chegar cansada do trabalho de educadora com crianças humildes e eu vou relatar a ela que o queijo e a geléia estão acabando. Meu pai vai me ligar pra contar do artigo que escreveu sobre o descaso dos políticos, dizer que achou linda a crônica que escrevi sobre socialismo e que já posso pegar o dinheiro pra comprar o sapato de meio salário mínimo que vi na vitrine.

Vou assistir ao Repórter Record e me emocionar com a reportagem sobre a crackolândia em São Paulo, aquelas crianças se prostituindo pra sustentar um vício que irá matá-las antes que adquiram maturidade. Enquanto isso, meu filho espera ansiosamente o fim de semana, vamos ao Bob’s ou ao shopping passear.

Minha tia vem nos visitar, como sempre vai contar as histórias tristes decorrentes da falta de leitos no hospital público em que trabalha, enquanto conversamos, assustada com tais dificuldades vou lembrar de procurar minha carteira do plano de saúde, sabe lá quando posso precisar.

Outra noite se aproxima, começo a pensar na violência da cidade, trabalhar na redação de um jornal e saber em primeira mão das notícias policiais tem assombrado meu sono, tenho tido muitos pesadelos. Enquanto isso milhões de pessoas vivem um pesadelo e ainda me considero sensível em relação a situação de miséria que vive grande parte da população, estou errada, vou levando a minha vida de classe média, vocês vão levando suas vidas de classe média, fingindo se importar. Continuam no conforto de suas casas e ligam uma vez no ano para o ‘Criança Esperança’, fingindo se importar.

Se não tivermos a infelicidade de sermos vítimas da violência decorrente da desigualdade social e a morte for por causas naturais, morreremos num apartamento com TV, ar-condicionado e frigobá de um hospital caro e famoso, fingindo nos importar.

Tiara Sousa

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sexo oposto, cada dia mais oposto!


As mulheres falam demais. Os homens fazem demais. E como disse Lulu Santos:
“Assim caminha a humanidade”, as mulheres cada vez mais sentimentais, românticas e desiludidas e em contra-partida os homens continuam numa busca com pouquíssimos limites por saciar a libido.

E o que faz a humanidade, diante de tantas diferenças, que há muito são escrachadamente mais que físicas e abrangem tudo. Como entender o sexo oposto que a cada dia fica mais oposto, como viver sem ele que com o tempo desperta mais atenção, desejo e curiosidade?

A verdade é que desde que o mundo é mundo os seres humanos procuram entender-se, buscam a compreensão do outro sexo. Se todos temos emoções, desejos, falhas, pensamentos, o que torna o homem e a mulher tão diferentes, onde estará o ponto de equilíbrio que possibilitará, mesmo nos tempos atuais com a ascensão do feminismo, a aceitação da existência do femismo e a perpetuação do machismo, a capacidade de nos relacionarmos com o mínimo possível de hipocrisia, com personalidade e sem máscaras?

Em países católicos como a Espanha, Itália, Portugal e em toda a América Latina, machismo é a crença de que os homens são superiores às mulheres. É bastante comum a idéia de que o feminismo é um equivalente direto ao machismo, o que é equivocado, já que filosóficamente "superioridade feminina" é chamada de femismo, o que gera confusões, pois muitos ainda chamam de feminismo. Mas na realidade o termo feminismo é um discurso intelectual, filosófico e político que tem como meta os direitos iguais e a proteção legal às mulheres.

No deleite dessas diferenças e na incompreensão do sexo oposto, nos chocamos com frases muito usadas por homens e mulheres, que compõem o que chamarei de discurso machista e discurso femista (derivada do femismo). Enumerando e desmontando algumas das mais famosas idéias que integram esses discursos, vamos esclarecer algumas coisas.

Discurso Machista (DM) / Desmontando o Discurso Machista (DDM)

DM 1 A gostosona é só pra curtir.

DDM 1 As chamadas gostosonas, são mulheres de formas avantajadas e são assim por uma questão genética, as formas de um corpo não revelam o caráter e a personalidade de ninguém.

DM- 2 A mulher que me dá de primeira eu não levo a sério.

DDM- 2 Mulheres também tem desejos e acontece de agirem por impulso, isso não significa que isso aconteça sempre, significa que o sexo feminino também integra a raça humana.

DM- 3 Ela é maravilhosa, mas tem filho e eu não tô preparado pra ser pai.

DDM- 3 O fato de namorar uma mulher que tenha filho(s) não significa que ela vá querer fazer do namorado o pai do seu filho. Ela quer alguém pra beijar, transar, passear e compartilhar, não pra assumir tais responsabilidades, até mesmo porque ela não confiaria a alguém que está conhecendo nada relativo à pessoa que mais ama no mundo. Claro que sendo mãe, ela não terá a mesma disponibilidade para o cotidiano de um relacionamento e o homem não estar disposto a entender e conviver, não é preconceito, é opção. O fato é que se não quiser namorá-la, que seja pelos motivos reais.

DM- 4 Mulher que sai muito à noite não é flor que se cheire.

DDM- 4 Se liguem rapazes. As verdadeiras boêmias saem pela noite, pelo som, pelo papo, por amor à boêmia, e em sua maioria são até mais seletivas que outras mulheres, pois a noite está sempre repleta de homens. As boêmias gostam da noite, não das noitadas.

DM- 5 Aquela é pra casar.

DDM- 5 Mulher pra casar é a que deu certo com o homem, na cama, no papo, nos objetivos e principalmente no dia a dia. O fato de uma mulher ir a igreja, não beber e cozinhar bem não significa muita coisa. Casamento é convivência diária e não fama de santa.

DM- 6 Deu mole, eu transo mesmo, sou homem.

DDM- 6 O homem não é menos homem por dispensar uma transa, ele só é mais seletivo, e na visão feminina muito mais interessante.

Discurso Femista (DF) / Desmontando Discurso Femista (DDF)

DF- 1 Homem nenhum presta

DDF- 1 O fato de o desejo deles ser comprovadamente mais voraz do que o das mulheres e por isso ser mais difícil resistir às tentações, não significa que não é possível, essa idéia vinda das mulheres só faz eles não tentarem, já que elas não acreditam mesmo. Não cultivem essa idéia, três ex-namorados galinhas não são nem 1% da população masculina.

DF- 2 Ele só pensa naquilo

DDF- 2 Errado, eles pensam muito em sexo, mas nem tudo envolve isso. Afinal se fosse desta forma não estudariam, trabalhariam, conversariam e encantariam. Homens pensam muito em muitas coisas, afinal Chico Buarque de Holanda é homem.

DF- 3 Eles só servem pra uma coisa

DDF- 3 Nada disso, sexo não é tudo que um homem pode oferecer, eles podem até ser mais centrados, porém também tem sensibilidade, quebram muitos galhos diários, ajudam muito as mulheres e ainda matam baratas.

DF- 4 Homens tem um lento amadurecimento

DDF- 4 Lenta é essa forma de pensar, tem muita cara por aí que trabalha, estuda, namora, é pai e ainda sonha, tudo isso antes dos 30. Considerá-los imaturos só porque depois de fazer tudo isso ele joga um vide game, um futebol ou toma um chopp com a galera é imaturo demais.

DF- 5 Homem precisa de mulher pra tudo, são muito dependentes.

DDF- 5 Cuidado com esse pensamento, é auto confiança demais. Homens só são dependentes até quando querem. Se vão morar sozinhos, em dois meses eles se viram melhor do que muita mulher por aí.

DF_ 6 Eles não sabem ouvir

DDF- 6 Eles sabem ouvir sim, só é preciso que haja a compreensão que naturalmente mulheres falam mais e homens ouvem menos. Sabendo dosar e falar coisas empolgantes e de forma leve eles podem se mostrar ótimos ouvintes.

Gostaria de deixar claro que assim como toda regra tem exceção, os desmontes desses discursos também tem. Pode existir a gostosona safada, o cara que nunca ouve, entre outros. Porém julgar a todos pelas minorias é um erro e pode fazer alguém perder a oportunidade de viver um grande amor, pré-julgamentos baseados em discursos falhos não acrescentam a vida, só subtraem.

É completamente perceptível que as diferenças são muitas, que o entendimento é pouco e que a recompensa existe. Mulheres serão sempre mulheres, irão continuar tendo TPM, se apaixonando perdidamente, requisitando atenção, falando demais, ligando na hora do almoço e regulando os horários. Os homens por sua vez vão continuar loucos por futebol, babando corpos esculturais, não reparando o novo corte de cabelo e fazendo cara de santo nas situações mais inusitadas.

Mas se passarmos a enxergar essas diferenças com atenção, perceberemos que é aí que mora o interesse, a curiosidade, o tesão, e precisamos perceber isso, porque ultimamente os relacionamentos não estão durando, terminam em discussões judiciais ou nem começam quando tinham tudo pra começar. Tá mais do que na hora dos homens pararem de tentar entender as mulheres e vice-versa, tá na hora dos sexos opostos se aceitarem, a aceitação independe de entendimento, aceitar é gostar do outro apesar de todos os defeitos, diferenças, esquisitices, pois toda e qualquer qualidade é por natureza superior.

O que a humanidade busca sempre é amor e não há formas de cultivar um amor abominando todo o resto. Então vamos amar, fazer sacrifícios, chorar, sorrir, perder, ganhar. Não é à toa que os opostos se atraem, então que tal viver intensamente os riscos dessa atração?

Tiara Sousa

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ser Mãe


Eu nunca pensei em ser mãe, tinha em mente uma vida adulta desprendida e de total liberdade pessoal, dedicação apenas a estudo e realizações vocacionais, não conseguia sequer imaginar-me amamentando, trocando fraldas, moldando um caráter, repreendendo, e tão entregue a um amor tão cotidiano e sublime, eu já sabia que parte da realização feminina inclui a maternidade, e que a maternidade inclui imensamente a doação, a entrega e o sacrifício e não estava disposta. Mas inesperadamente eu me vi grávida aos dezoito anos e foi sem dúvida a ocasião mais difícil e louca da minha vida até então, eu me desesperei, ainda me sentia uma criança, ou realmente fosse, eu sequer sabia ser filha direito, como poderia ser mãe. Como iria ser minha juventude, como dividiria o meu tempo, como continuaria meus estudos e iniciaria minha vida profissional, como sairia com os amigos, o que eu seria capaz de renunciar, eu não sabia e o medo tomou conta de mim, comecei a ter taquircadia, perdi alguns quilos, tomei vários porres, chorei muitos dias, até que senti o bebê mexer, e me senti mãe, no decorrer da gravidez eu fui me apaixonando de tal forma pela nova vida que eu gerava, a ponto de me perder entre a dor e o prazer de uma gravidez precoce, alguns que eu considerava amigos desapareceram, nas ruas as pessoas me observavam com dó e preconceito, era uma criança que esperava outra, mas o que eles não sabiam, e que nem eu sabia, é a infinita capacidade que o ser humano tem de amar, e eu amei, amei o primeiro choro, o primeiro riso, a primeira palavra, o primeiro passo, o primeiro dente, o primeiro obstáculo, o primeiro “Eu te amo”, a primeira teimosia, o primeiro desenho, a primeira indiscrição e todos, todos os outros que se seguiram e que virão. Não, isso não quer dizer que é fácil, é absurdamente difícil, nem quer dizer que por tanto amor eu sou uma mãe completamente responsável, eu não sou, nem quer dizer que eu não falhe, eu falho, nem quer dizer que eu não precise de ajuda, eu preciso, isso quer dizer que eu sou uma mãe de amor incondicional, e isso faz de mim alguém melhor. Na verdade a única coisa que posso afirmar com maturidade é que eu passaria por tudo outra vez, só para ouvi-lo dizer “Mamãe, eu te amo; Feliz dia das Mães”.

Tiara Sousa