segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ás vezes, solidão

Ás vezes nós escolhemos ficar em casa, apreciando a vista pelas grades da janela, presos no próprio íntimo, cultivando-se. E nos plantamos para florescermos, fortificarmo-nos, porque a solidão, apesar de vista sempre como algo negativo, pode ser uma escolha momentânea , e quando é, funciona como a água que faz a planta se desenvolver, é esta que dá andamento ao processo de autoconhecimento, entendimento e amadurecimento humano. É que enquanto nos recolhemos, o mundo gira, os outros vivem, o tempo corre, assim como deve ser, porém e apesar da impressão equivocada de que paramos no tempo, a verdade é que sós percorremos o nosso mundo interior, pausamos para encontrar os alicerces para seguir com mais segurança nosso caminho. Ás vezes preferimos ser espectadores, renunciamos à intensidade, ao impulso, a participação em favor de uma paz que apenas habita no comodismo da clausura. E nos permitir esse (ás vezes) não é reinvindicar das possíveis próximas experiências, nem perder tempo, é sim adiá-las para que quando aconteçam estejamos preparados, para que quando sairmos da proteção ímplicita nas fechaduras das portas de nossas casas, os outros, os acontecimentos, não nos amedrontem, não nos paralisem, não nos derrubem. E então quem sabe um dia todos possam se permitir momentos coerentes de solidão e essa palavra possa ser dita suavemente e sem temor, assim como dizem saudade e como dizem amor. Quem sabe? Ás vezes. solidão. Tiara Sousa

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Felicidade

Há vezes em que todos os músculos do seu corpo parecem um só, e lágrimas unem-se ao sorriso e a beleza vai além de como se esta vestido ou arrumado. Há vezes que não se quer respostas, explicações, sentido. Minutos em que não se sente nada mais que o momento, pois o momento já justifica toda uma existência. ...E se consegue dançar sem música, aprender sem livro, rir sem dor, e é tudo tão natural como uma árvore que só está ali, e pronto, ali é o seu lugar. E não há uma parte do corpo que doa, um espaço na mente que pondere, uma batida do coração que não valha a pena, nada de justificável ou malicioso, tudo é infinito, ainda que breve. Há vezes, em que não se está no mundo, pois o mundo está em você, e que não há paisagem mais linda, intrigante ou emocionante do que a leveza dos seus traços. E não mais grita em silêncio, silencia em gritos, que se sente feliz e pronto, é feliz que merece estar. ...E sob tanta emoção ainda há tempo para lembrar da citação coerente de Érico Verissímo: "Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente". Há tempo para lembrar e há tempo para sentir e nunca mais esquecer. Há vezes em que simplesmente se é feliz. Tiara Sousa

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Enquanto choro

O que é tão bonito, que não possa ser real? O que é tão feio, que não possa ser fantasia? Tudo o que vejo são flores murchas, numa cidade poluída, sob a luz de uma lua que nunca vai me corresponder. E quem, com que direito, criou esses filmes, novelas, seriados, romances literários, que tanto me fazem chorar? Quem permitiu que a fantasia me entorpecesse tanto, a ponto de me deixar com a impressão egoísta de que está tudo estático na cidade, pra que essas lágrimas intermitentes condenassem meus olhos ao exibicionismo de uma frágilidade que sempre prefiri esconder.
E porque mesmo com tantas histórias inventadas sobram lágrimas para a realidade, de quem foi o discurso sinico do romance épico que nunca chega ao momento vivido, que tem que ser assistido e desacreditado, e porque sabendo disso e abstinente da ignorancia dos inocentes ainda choro, como se sofresse a dor de um personagem que sei que saiu da imaginação de alguém capaz de chorar como eu.
Mas sei que enquanto choro pela fantasia do outro, esqueço de chorar por mim, pelo real, e sei que enquanto paro a vida para ler, ouvir ou assistir as invensões, a vida corre dentro de mim, pois nenhuma arte é vã e sempre haverão livros, novelas, filmes, pinturas, pra me fazer mais humana e menos fisica, enquanto choro.
Tiara Sousa

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dizer para um amor ir

Quem já teve um coração partido por um amor conhece a dor que não é fisíca com uma intimidade incomoda. E tantos já tiveram... Se fossemos contabilizar os corações partidos do mundo faltariam números, pois na lógica escassa da matemática não cabe a falta de lógica do amor.
Você conhece alguém e quando menos percebe seu pensamento não é mais seu, sua boca não é mais sua, seu corpo é uma bonita comunicação entre o que você sente e o que faz sentir. Então alguma coisa acontece e a pessoa que te faz sentir assim decide sair da sua vida e seu coração é similar a um banco de praça, parado, estático, que apenas espera e espera até que alguém chega, senta, fica um pouco e vai embora, deixando somente a poesia da imagem de um banco de praça vazio onde alguém sentou. Mas isso é quando quem amamos nos deixa e até isso já é tristesa demais.
A grande diferença entre ser deixado por quem ama e dizer para um amor ir embora quando tudo em sua cabeça e em seu corpo quer que fique é talvez a maior prova de amor que exista, é como velar seu próprio corpo, partir seu proprio coração.
O ser humano é por natureza egoista, mas os sentimentos não tem regras nem leis, só um sentimento nobre como o amor é capaz de fazer alguém preferir a própria dor à dor do outro. E como é lindo desejar a felicidade de alguém mais que a sua própria, e como é ainda mais lindo ser capaz de dizer vai, não sou eu o seu sonho e necessito que viva seu sonho.
E num momento desses nada parece fazer sentido, porém é só lembrar que neste mundo de tantos assassinatos, misérias, discórdias, ainda existem pessoas capazes de velar seu próprio corpo para que outro corpo sinta-se vivo, de partir seu próprio coração para que outro coração esteja inteiro e de dizer para um amor ir para outro amor que não o seu, é só lembrar e esperar que a tristeza passe.
Tiara Sousa

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo

Não é fácil para mim escrever sobre o assunto ao qual descorreirei agora, temo ser moralista, exagerada, incompreendida ou parecer apenas um caso isolado, uma traumatizada. Porém meu temor e a dificuldade causada por estes são menores que a minha esperança que alguém leia e perceba que casos como o meu são mais comums que aparentam e que eu possa ajudar alguém.
Engordei mais de dez quilos no último ano. Para a maioria das mulheres isso seria uma grande tristesa, mas para mim é vida.
Passei um semestre inteiro da faculdade com pouquíssimas faltas e ótima notas, para a maioria dos estudamtes com o meu QI isso seria normal, mas para mim é uma vitória.
Fui neste último ano letivo a mãe mais presente e participativa da escola que meu filho estuda, para a maioria das mães isso é bom, mas para mim é o infinito.
Fiz faxina em minha casa mais de vinte vezes esse último ano, para a maioria das pessoas sem empregadas isso é normal, mas para mim é superação.
Óbvio que nada são apenas flores, e no último ano tive que reaprender a me divertir, a planejar, a ser participativa, a sonhar sem tirar os pés do chão. Tive que me reaprender.
Me analisei, reconheci meus erros, as preocupações que causei, as oportunidades que perdi, os momentos que deixei de viver, nossa como foi difícil me perdoar depois que tirei a venda dos olhos e enxerguei que o tempo nunca retrocede, que eu nunca poderia apagar o sofrimento que causei a minha família e a mim.
No último ano eu não fiz questão de viver intensamente, aproiveitar a juventude e nem tive pressa. Nem procurei conhecer gente nova, dançar, paquerar, sorrir atoa. No último ano eu conhecia o mundo outra vez, e como uma criança me preservei das emoções, da intensidade.
E como são boas as reuniões de família, os passeios no shopping, as conversas na cozinha com a minha tia e a minha vó. E como é bom ver no olhar da minha mãe que ela sabe que pode contar comigo.
O que mudou? Pode até parecer pequeno pra quem não perdeu o que perdi durante anos. Eu perdi tempo, eu perdi alegria, eu perdi realizações, eu perdi a vontade de ganhar. Mudou que eu aceitei que tinha um problema, porque o álcool é um problema. Então coloquei meu melhor vestido, calcei minha sandália mais linda e saí da tristeza de uma vida ébria há um ano e dois meses. Não foi fácil, para pessoas sonhadores, idealistas e romanticas como eu, é difícil resistir as ilusões. Mas eu consegui, eu consigo todos os dias. Na verdade o tempo da tentação já passou, agora é tempo de recomeço. Fiquei adulta aos 25 anos e não aos dezoito, mas eu ainda tenho tempo, eu já me perdoei, atualmente eu me supero pra superar as espectativas, eu me cuido pra cuidar do mundo, eu vejo no espelho a pessoa que eu posso ser e não a que eu poderia ter sido. Feliz Ano Novo Tiara, um brinde com uma taça de água e um sorriso de vencedora.
Tiara Sousa