Não irei falar de nenhum romance daqueles estilo conto de fadas, nenhuma fofoca daquelas de dar pano pra manga, nenhum grande segredo, daqueles que deveriam ser guardados pra toda vida e nunca são, é apenas uma história; A história que guardei pra mim.
Era uma vez, (por que “Era uma vez” nunca sai de moda) uma garota que vivia muito humildemente num mundo de fantasias, um mundo somente seu, é que ela era do signo de peixes e os piscianos são mesmo assim, neste mundo havia uma lâmpada mágica que transformava todos os seus desejos em realidade, os bibelôs falavam e viviam como os humanos, se zangavam, se apaixonavam, cantavam, brincavam e sofriam, seu mundo não era de somente felicidade, ela sabia que os encantos viviam na tristeza e que toda solidão possuía uma misteriosa beleza. Ela acreditava no que ninguém acreditava, sereia, mãe-d’água, um mundo mágico no fundo do mar, é que ela considerava o mar a maior beleza natural, na escola diziam que ela vivia no mundo da lua, mas é que o mundo da lua era demasiadamente mais agradável que a Terra e ela espertinha como só, já havia descoberto.
Na Terra ela tinha um cachorrinho que fugiu, uma mãe maravilhosa que trabalhava o dia inteiro, um pai poético que ela nunca via, irmãs felizes que ela não sabia, roupas caras que ela não escolhia, brinquedos lindos sem companhia, vizinhos divertidos que eram distantes, melhores amigos de quem ela não era a melhor amiga, desse mundo a melhor vó e a melhor tia, porém uma imensa nostalgia e um velho disco de Chico Buarque, com que definitivamente tudo aprendia.
Essa garota cresceu cultivando valores como dignidade, honestidade e respeito, mas ainda assim, acreditem, cheia de defeitos, ainda é tão sonhadora que deixou seu outro cachorrinho ficar doente, decepcionou várias vezes sua maravilhosa mãe que continua a trabalhar o dia inteiro, seu pai, ainda poético,ela sempre vê, mas não consegue esquecer que nunca via, as irmãs agora não tão felizes passou a saber, mas pouco as encontra, as roupas ela decide, a escolha é toda sua, não é uma questão preço, é uma questão de bem estar, brinquedos ela deixa com seu filho e suas companhias, vizinhos, não são mais tão divertidos, talvez por também não ser tão distantes, é definitivamente a melhor amiga de seus melhores amigos que ela descobriu a duras penas que são a sua família, desse mundo as melhores ainda são a sua vó e a sua tia, seu bebê não lhe dá tempo pra tal imensa nostalgia, e os CDs de Chico Buarque retratam muito de seu aprendizado e vida.
Eis a história que guardei pra mim.
Tiara Sousa
Sejam bem vindos ao Alternativo, um lugar de cronicas e contos. Levando até vocês uma dose de cultura, diversão e entretenimento. Os textos são atualizados todos os domingos. E aí o que estão esperando pra começar a frequentar esse sedutor mundo virtual?
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
A técnica do artista
Sem dó nem piedade o artista chega, assim de mansinho, miudinho demais pra falar coisa qualquer.
Ele sabe direitinho como fazer o que nasceu pra fazer, mas tem ritmo demais pra entender a imensidão modesta e tocante da sua arte.
Ele não é pontual, diz que a pontualidade não é o forte do artista, diz que o artista gosta mesmo é do descompromisso, da boemia, da natureza, da poesia.
E o artista começa a executar a sua arte impura, ele enxerga além do público, ele enxerga as emoções, ele sente as energias, ele desfruta os gestos, ele sabe o que dói, e o que dói é a sua arte.
O artista não tem nada além de manias, mania de amar, mania de beber, mania de chorar, mania de sofrer, mania de viver, ele é mesmo cheio de manias.
O artista sabe muito pra citar Nitschie, ama muito pra ler Shakeaspeare, sofre muito pra recitar Camões, ele somente encanta, que encantar é mesmo humano e transcendental e às vezes até um tanto providencial.
Como todos os que têm paz, ele odeia violência, abuso, moralismo, preconceito, odeia a ponto de fantasiar um mundo onde nem ele mesmo com a sua inocência quase que infantil se encaixaria.
Mas o artista não é bobo, até costuma dizer que tem que conhecer a dor, pra conhecer o amor, é corajoso também, sabe o perigo de representar seus pensamentos tão escrachadamende e se resguarda, guarda algumas mágoas, outros tantos desabafos e põe em sua arte, e alcança os vazios da gente, e isto é o que podemos chamar de técnica do artista.
Tiara Sousa
Ele sabe direitinho como fazer o que nasceu pra fazer, mas tem ritmo demais pra entender a imensidão modesta e tocante da sua arte.
Ele não é pontual, diz que a pontualidade não é o forte do artista, diz que o artista gosta mesmo é do descompromisso, da boemia, da natureza, da poesia.
E o artista começa a executar a sua arte impura, ele enxerga além do público, ele enxerga as emoções, ele sente as energias, ele desfruta os gestos, ele sabe o que dói, e o que dói é a sua arte.
O artista não tem nada além de manias, mania de amar, mania de beber, mania de chorar, mania de sofrer, mania de viver, ele é mesmo cheio de manias.
O artista sabe muito pra citar Nitschie, ama muito pra ler Shakeaspeare, sofre muito pra recitar Camões, ele somente encanta, que encantar é mesmo humano e transcendental e às vezes até um tanto providencial.
Como todos os que têm paz, ele odeia violência, abuso, moralismo, preconceito, odeia a ponto de fantasiar um mundo onde nem ele mesmo com a sua inocência quase que infantil se encaixaria.
Mas o artista não é bobo, até costuma dizer que tem que conhecer a dor, pra conhecer o amor, é corajoso também, sabe o perigo de representar seus pensamentos tão escrachadamende e se resguarda, guarda algumas mágoas, outros tantos desabafos e põe em sua arte, e alcança os vazios da gente, e isto é o que podemos chamar de técnica do artista.
Tiara Sousa
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
A saga dos sentimentos
Existe a saga dos sentimentos perdidos, o único tesouro que poucos querem encontrar, por puro domínio da incerteza ou pela vivacidade que a maioria dos homens só possuíram até a adolescência, ritmo infeliz, este, que embora muitos tenham ouvido falar, poucos, bem poucos resistiram. Não é real quando lemos um conto de fadas, mas é real quando assistimos a um reallity show, se tentarmos ser menos críticos e analisar com a vivacidade perdida, veremos que tanto no conto de fadas quanto no reallity show ocorrem histórias de amor onde acontecem muitos sofrimentos, tudo bem, no conto de fadas o final é sempre feliz e de beleza sem igual, mas é aí, exatamente aí, que encontramos a resposta para o que Camões não conseguiu explicar e o que Shakeaspeare mesmo sem querer confundiu com o trágico, sim o fulgás, a raiva, o medo, o inverso, o feliz, o triste, o fantasioso, este mesmo, o amor, dizem que por ele o incorruptível se corrompe e o perdido se encontra.
Como podemos nós, enquanto humanos, sendo seres frágeis interna e externamente, passar horas enfrente a uma televisão assistindo a reallity shows, novelas, filmes, esperando encontrar nos mesmos o que vivemos mal ou sequer vivemos, será isto a ignorância de que falam os ditos intelectuais ou será isto fragilidade e medo humanos, tão normal e dolorosa quanto uma cólica menstrual e será que a verdadeira ignorância é dos intelectualóides que passam a vida se segurando pra não chorar num final de novela que por acaso em casa acabaram por assistir. Se estas são indagações ou informações descobriremos no cotidiano, o fato é que o planeta Terra continua a fazer seus movimentos de translação e rotação, que os trágicos amores continuam acontecendo, que os seres humanos continuam com medo de reencontrar sentimentos que se perderam e a mídia continua a alcançar picos de audiência com as nossas decepções.
Tiara Sousa
Como podemos nós, enquanto humanos, sendo seres frágeis interna e externamente, passar horas enfrente a uma televisão assistindo a reallity shows, novelas, filmes, esperando encontrar nos mesmos o que vivemos mal ou sequer vivemos, será isto a ignorância de que falam os ditos intelectuais ou será isto fragilidade e medo humanos, tão normal e dolorosa quanto uma cólica menstrual e será que a verdadeira ignorância é dos intelectualóides que passam a vida se segurando pra não chorar num final de novela que por acaso em casa acabaram por assistir. Se estas são indagações ou informações descobriremos no cotidiano, o fato é que o planeta Terra continua a fazer seus movimentos de translação e rotação, que os trágicos amores continuam acontecendo, que os seres humanos continuam com medo de reencontrar sentimentos que se perderam e a mídia continua a alcançar picos de audiência com as nossas decepções.
Tiara Sousa
sábado, 10 de novembro de 2007
Se eu sonhasse definir Chico Buarque de Holanda

“O primeiro me chegou como quem vem do florista...
O segundo me chegou como quem chega do bar...
O terceiro me chegou como quem chega do nada...”
(trechos de Teresinha de Chico Buarque)
Chico Buarque de Holanda não chegou. Mas fez chegar sua voz, sua poesia, suas canções, sua vivência, sua atitude, sua dor, seu amor, seus defeitos, sua simplicidade, sua genialidade.
“O que será, que será? Que vive nas idéias desses amantes; Que cantam os poetas mais delirantes; Que juram os profetas embriagados; Que está na romaria dos mutilados; Que está na fantasia dos infelizes; Que está no dia a dia das meretrizes; No plano dos bandidos dos desvalidos; Em todos os sentidos...”(trecho de O que será ? de Chico Buarque)
Idolatria(conceito): adoração dos ídolos, ação de prestar a certas entidades as honras próprias da divindade,amor, dedicação excessiva, adoração cega.
Talvez... Sim! Assumidamente meu ídolo.
Ainda que pudesse falar com ele, nada diria, ídolos não precisam ouvir, mas tem a direito de ser ouvidos.
Afinal como falar de saudade, a quem falou: “a saudade é o revés de um parto, a saudade é olhar o quarto de um filho que já morreu”; O que falarei de amor a quem amou a ponto: “Preciso não dormir até se consumar o tempo da gente, preciso conduzir um tempo de amar, te amando devagar e urgentemente” O que dizer da paixão a ele que já se apaixonou assim tanto: “Mangueira, estou aqui na plataforma da estação 1ª, o povo veio me chamar, de terno branco e chapéu de palha, vou apresentar a minha nova parceira, mandei subir o piano pra mangueira”; Como explicar meu povo a quem explicou tão brilhante e simplesmente: “É gente humilde com cadeiras na calçada e na fachada escrito em cima que é um lar, pela varanda, flores tristes e baldias, como a alegria que não tem onde encostar”.
Como me definir mulher a um homem que tão feminino e infinitamente expôs: Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim; Por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim.
Como sentir a boemia a quem sentiu exatamente: “Chega a noite, mais um copo, eu alegre ma non troppo, sei que vai querer cantar, na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo pra você rememorar.”
Ao gênio das palavras, de uma decência indecente, eu não tenho nada a dizer.
Se eu sonhasse definir Chico Buarque de Holanda, definiria a poesia, no seu mais simples escândalo, no sentido mais abominável da dor, no mais estranho conceito do infinito.
Ele é humano, eu sei, mas vicia, compromete e não se explica, pelo simples motivo de explicar a tudo e todos tão popularmente.
Gênio! Gênio! Gênio!
Que as crianças do Mundo tenham a oportunidade de crescer ouvindo ele cantar nossas vidas e encantar nossos desencantos.
“Cantei, canteiJamais cantei tão lindo assimE os homens lá pedindo bisBêbados e febrisA se rasgar por mim”
(trecho de Bastidores de Chico Buarque)
Tiara Sousa
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Adulta Essência
Aprendi com o meu filho que ser criança não é tão fácil quanto parece, o fato de não poder fazer nada sem permissão e ser repreendido por fazer, o fato de tudo o que acha mais saboroso, como refrigerante, bala, sorvete, chocolate, batata-frita ser regrados, por não ser saudáveis, o que nem é bem entendido em seu mundinho tão intenso, ou o porque de a bagunça ser tão divertida, se é proibida, mas também aprendi que o grande encantamento da infância mora no poder do esquecimento, criança não guarda mágoas e não ter mágoas é viver o hoje intensamente.
Mas o fato de a infância não ser tão fácil, não significa que não seja de fato fácil, ainda mais quando comparada com a fase seguinte: a temível e complicada adolescência, onde tudo é 8 ou 80, onde além de conviver diariamente com as mudanças corporais, convive-se com a descoberta dos desejos, onde tomar decisões é impossível e deixar que tomem-nas em seu lugar é fraquejar, onde uma paixão passa a significar a própria vida e não estar em tal estado, solidão contínua. Claro que com todos esses acontecimentos o convívio familiar quase sempre torna-se difícil, porque para o adolescente tudo é difícil, até que provem o contrário.
Mas é somente quando chegamos a fase mais esquecida de todas, a adulta, que aprendemos de fato sobre a vida, as teorias tornam-se prática e o dia-a-dia uma superação. Somente adultos descobrimos que é demasiadamente mais fácil ser filho do que pais, aprender do que ensinar, ser sustentado do que sustentar, ser repreendido do que repreender, ser consolado do que consolar, ser educado do que educar, se apaixonar do que cultivar uma relação, adulto não tem opções, se ele para o mundo para, de seu trabalho depende o comércio, a educação, a água, á energia, o transporte, os meios-de-comunicação, a limpeza, o saneamento, a agricultura, a construção, a alimentação, a política, e tantos outros. Quem já ouviu o ditado: As crianças e os adolescentes são o futuro. Ou este: Temos que cuidar de nossos idosos, eles são os responsáveis por estarmos aqui. São frases bonitas e verdadeiras, mas e o adulto? Porque não falam do adulto, este que é responsável pelo hoje, este que educa seus filhos para o amanhã, este que cuida de seus pais e avós cultivando o ontem e ainda assim não deixa a poesia, a pintura, a dança, o cinema, a música, e tantas outras artes morrer cultivando uma essência própria, uma Adulta Essência.
Tiara Sousa
Mas o fato de a infância não ser tão fácil, não significa que não seja de fato fácil, ainda mais quando comparada com a fase seguinte: a temível e complicada adolescência, onde tudo é 8 ou 80, onde além de conviver diariamente com as mudanças corporais, convive-se com a descoberta dos desejos, onde tomar decisões é impossível e deixar que tomem-nas em seu lugar é fraquejar, onde uma paixão passa a significar a própria vida e não estar em tal estado, solidão contínua. Claro que com todos esses acontecimentos o convívio familiar quase sempre torna-se difícil, porque para o adolescente tudo é difícil, até que provem o contrário.
Mas é somente quando chegamos a fase mais esquecida de todas, a adulta, que aprendemos de fato sobre a vida, as teorias tornam-se prática e o dia-a-dia uma superação. Somente adultos descobrimos que é demasiadamente mais fácil ser filho do que pais, aprender do que ensinar, ser sustentado do que sustentar, ser repreendido do que repreender, ser consolado do que consolar, ser educado do que educar, se apaixonar do que cultivar uma relação, adulto não tem opções, se ele para o mundo para, de seu trabalho depende o comércio, a educação, a água, á energia, o transporte, os meios-de-comunicação, a limpeza, o saneamento, a agricultura, a construção, a alimentação, a política, e tantos outros. Quem já ouviu o ditado: As crianças e os adolescentes são o futuro. Ou este: Temos que cuidar de nossos idosos, eles são os responsáveis por estarmos aqui. São frases bonitas e verdadeiras, mas e o adulto? Porque não falam do adulto, este que é responsável pelo hoje, este que educa seus filhos para o amanhã, este que cuida de seus pais e avós cultivando o ontem e ainda assim não deixa a poesia, a pintura, a dança, o cinema, a música, e tantas outras artes morrer cultivando uma essência própria, uma Adulta Essência.
Tiara Sousa
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