domingo, 9 de janeiro de 2011

Dias de frio

Não dá vontade de sair da cama nesses dias incomuns, nem há lareiras em minha casa, nem edredons, só há esse gosto doce das lembranças e a vontade de deixar para mudar o mundo amanhã, com o dia mais aquecido. Os dias de frio costumam ser melancólicos, e solitários, dá até pra sentir saudade do que ainda nem se viveu e talvez não viva. É no frio que a percepção de que o tempo passou fica mais forte, mais triste e mais bela. Olhamos no espelho e não vemos nada além de uma face que o tempo modificou, e se percebe que a beleza ainda está ali, porém as dores nunca voltarão a ter o mesmo efeito. A luz do dia, entrando pelas janelas chega até a ser poética, a chuva ou a prenuncia dela tem dessas coisas, nos faz lembrar dos beijos lindos e românticos, dos sorrisos inocentes, do tempo em que a boêmia não combinava com a perda e os corações acreditavam em contos de fada. Para os adultos um dia de frio é saudade e esperança, parece que antes do calor voltar o príncipe encantado vai aparecer, as canções belas vão fazer chorar, os namorados nas praças vão ser notícia de TV e vai cair do céu junto com a chuva ou com o vento frio os sonhos insuperáveis e isso tudo vai acontecer enquanto você dorme ou ler um livro deitado na cama cheia de lembranças de um amor que não está mais ali. O frio vai passar, talvez naquele mesmo dia, talvez em outro, mas vai passar. E o que permanece é a saudade da saudade, a vontade da vontade, a esperança da esperança de um dia de frio possibilitar um século de calor.

Tiara Sousa

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A voz de Bia


À minha tia, a cantora Bia Abdoo

A voz humana é produzida pela vibração do ar que é expulso dos pulmões pelo diafragma e que passa pelas cordas vocais e é modificado pela boca, lábios e a língua. A voz está associada à fala, na realização da comunicação verbal, e pode variar quanto à intensidade, altura, inflexão, ressonância, articulação e muitas outras características. À emissão de uma voz saudável, damos o nome de EUFONIA. A uma voz doente, ou seja, com alguma de suas características alterada, damos o nome de DISFONIA. A voz de Bia Abdoo, podemos chamar de EUFORIA (estado emocional de excitação plena).
Quando Bia nasceu provavelmente um anjo louco decidiu sair por aí roubando um pouco da voz de cada ser humano e dar a ela, talvez ele estivesse ébrio e tenha tomado isto por diversão, talvez. Embora para Bia tenha sido uma honra tal contemplação, também foi um desatino. Carregar em seus pulmões tanta poesia tem seu preço, é como se junto com a voz tenha recebido também a dor de cada um. E assim Bia cresceu, e fez jus ao presente recebido, cantou em tantos palcos, tocou tantos corações, partiu tantos outros, que até perdeu a conta, de quantas vezes fez de conta que a dor não estava ali.
E assim ela foi levando, entre palcos e paixões, filhos e boêmia, dor e poesia. E não agüentando mais a solidão trazida por sua arte, decidiu abandonar os palcos. E quanto mais o tempo passava, mais Bia se dava conta que fugir não adiantava, a voz ainda estava ali e lá iria permanecer por toda sua vida.
Então continuou a frequentar igrejas e bares atrás da resposta para pergunta que fez durante toda sua vida, porque uma voz tão linda, doce, forte, se não posso melhorar e enobrecer todos os corações da Terra. Bia retornou aos palcos, e viu o mundo ficar pequeno e os corações apertados diante de sua voz.

Tiara Sousa

domingo, 26 de dezembro de 2010

O que conheço



Não conheço essas pessoas
Que sorriem ao ver alguém tropeçar e cair
Que batem nas crianças com a bruta força da injustiça e definem correção
Que caçoam dos esquizofrênicos e dos terapêutas
E vão todos os domingos á igreja sentindo-se superior aos poetas nas mesas dos bares

Não conheço essa nova geração
Que cheira cocaína e fuma crack sem nunca ter passado fome
Que tinge os cabelos de azul e verde sem nunca ter reparado no azul do céu e no verde das árvores
que passa horas debatendo sobre sexo sem sequer mencionar o amor
E sai das salas de cinema achando que compreendeu a dor de Carandiru e Tropa de Elite

O que conheço é o medo
Dessa imagem refletida no espelho se tornar um deles
E sobretudo o medo
Do medo de nunca se tornar.

Tiara Sousa

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Votar e mudar


E lá vamos nós, o povo brasileiro no seu exercício de cidadania, a caminho de mais uma eleição. Votaremos para presidente, governador, senadores, deputados federal e estadual. Temos em nossas mãos a mudança, a elevação, o fim dos vícios de poder de certos políticos. A pergunta é: O que mudou, o que melhorou?
No estado do Maranhão, vivemos uma luta contínua para tirar uma família do poder. É difícil, já que nem mesmo o voto, a vontade do povo, eles respeitam. O Maranhão é um dos estados mais pobres do país, mesmo com ricas cultura, culinária, natureza. A família Sarney, não nos deixa crescer, evoluir, mais do que a riqueza que acumularam ao longo de cinquenta anos e à custa da miséria e ignorância do povo brasileiro, especialmente os maranhenses, eles se deleitam no poder. Poder esse que exclui qualquer possibilidade de melhora na educação, saúde, emprego, saneamento do nosso povo. Falta-lhes o básico, água tratada e um prato de comida descente.
Vamos mudar, Roseana Sarney não é Lula, Dilma ou qualquer outro presidente que vier a ser eleito. O governo federal não vai excluir o Maranhão de seus orçamentos se nos livrar-mos dessa família. Acredito sinceramente, que no aconchego de seu lar, sem alianças partidárias, sem pressões, sem dívidas e favores, nem é para os sarneys que torcem Lula e Dilma.
O fato de Roseana Sarney ter roubado o governo de Jackson Lago e ter inaugurado várias das obras que ele executou, não faz dela uma boa governadora. O fato de ela estar tentando a todo custo denegrir a imagem de Flávio Dino, não faz dela uma boa pessoa, o fato de ela gastar mais com propagandas que obras não significa que ela seja atuante. Caráter, dignidade, amor, respeito, estão presentes em muitas famílias maranhenses, mas não em todas.
Domingo temos mais uma chance de mudar o Maranhão e melhorar o Brasil. O povo pensa e assim sendo deve votar em quem pensa no povo. E que danem-se os (NÓIS), pra que prevaleça o (NÓS).

Tiara Sousa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Até logo ou adeus


Meu corpo, teu corpo e um infinito em nós. Alguns beijos, não são somente beijos, são a ocupação de um vazio que parecia nem ter fim. Você foi. mas eu vou te buscar das formas mais imprecisas, com todo o idealismo possível, nos meus sonhos, nas minhas neuras, nos poemas que não li, nos filmes que não vi, nos contos que não conheci, nas canções que não cantou pra mim. Porque eu preciso viver essa paixão, preciso que ela seja vivida com naturalidade, como um romance de novela, com começo, meio e fim, ainda que eu a viva sozinha ou de lembranças. O que você está fazendo agora, com quem está, no que está pensando, eu não sei, eu sinceramente não quero saber, a dor da tua ausência presente em todo o meu corpo já me faz companhia, não quero novas dores, só desejo que esteja bem e que me queira bem. Pois eu te quero, bem ou mal, alegre ou triste, rico ou pobre, sóbrio ou ébrio, eu te quero.
Eu posso adiar o máximo, andar pelos cinemas, pelas lanchonetes, pelas exposições, pelos bares, mais vou chegar em casa e encontrar o mesmo vazio no meu quarto cheio de recordações. Vão me paquerar por aí, talvez tentem me curar dessa paixão, dessa saudade, dessa química, talvez até tenha cura. O fato é que eu não quero a cura, não necessito de outra boca me beijando, de outra mão me tocando, de outro alguém. Eu quero sentir essa dor intensamente a espera de esperar por você enquanto o meu corpo desejar o teu corpo e nenhum corpo mais.
Sei que escrevo contraditoriamente, falando eu sou prática, escrevendo eu sou uma romântica incorrigível, é que eu não sou lá tão destemida quanto pareço, eu tenho medo do escuro, do amanhã, dos olhares que reprovam e me protejo de tudo e de todos, do estranho, do novo, do casual. Escrever me dá a liberdade que eu respiro, de não ter medo de nada, nem de ninguém e então posso contar tudo que me dá medo. E como eu tenho medo. Temo nunca mais te ver, temo te ver outra vez, temo não te tocar novamente, temo voltar a te tocar, temo te ouvir dando thial e indo pra longe, temo a tua volta, temo não viver essa paixão intensamente e sem interrupções, temo viver essa paixão. (Tiara Sousa)