sábado, 3 de janeiro de 2009

Amores Possíveis ( No embalo de reggae)


Tudo é possível e improvável em São Luís; "A ilha do amor". No embalo de um reggae, as pessoas ao redor, gente que não entende e que não se entende, jovens de toda a parte do país.Olhares, atração, beijos, vontade, sexo, desejos, viagens. Um vai, outro fica. Continuam suas vidas fingindo que nada aconteceu, que foram apenas dois meses, que não doeu.Um romance com prazo de validade, porém, ainda um romance.Os sorrisos, as lágrimas, as conversas, as pessoas, os sons; Tudo guardado em algum baú, a sete chaves.Uma história pra contar aos netos ou apenas um sonho, com começo, meio e fim.Porque amores possíveis...Só são possíveis, no embalo de um reggae.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sentimentos

As pessoas sentem, não porque sentir é bom ou é ruim, não porque sentir dá medo ou dá coragem. As pessoas sentem, porque sentir é natural e extravagante e acontece como o ar invadindo os pulmões, sem medidas e sem avisos. São tantos os sentimentos de um ser humano, que às vezes dá até pra confundir, não sabe-se mas o que é real ou imaginação, o que é desejo ou capricho, o que é abstrato ou próprio, o que é maravilhoso ou abominável, o que é sentimento.
Tem pessoas agora sentindo saudades, tem pessoas sentindo vergonha, pessoas extremamente apaixonadas, pessoas com raiva, pessoas confusas, só não há no mundo, do começo ao fim, alguém sem sentimentos.
Cada planta, cada bicho, cada luxo, cada vez, cada hora, cada sorriso, cada choro, cada um, sentem, e sentem mais, e quando não agüentam mais sentir, sentem um pouco mais, são dos sentimentos que vem o caráter, são dos sentimentos que vem os desejos, são dos sentimentos que vem os fantasmas, as lutas, a arte, tudo que o brilho da Lua não ofusca, e a luz do Sol não pode apagar.
Nunca deve-se nomear um sentimento de imaturo, maturidade é coisa pra quem sente pouco, pra quem sente mal, sentimentos são do dia a dia e da vida inteira. É preciso sentir pra escrever, é preciso sentir para pintar, é preciso sentir pra namorar, e antes de tudo é necessário sentir, e sente-se, por que sentindo tudo é vida, tudo cheira, tudo dói, tudo encanta e comove. Sentimento é coisa de gente, de bicho, de natureza, de verdades.

Tiara Sousa

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Laila, a Quarta

( Dedicada a minha irmã, Laila Cunha Santos)

Laila, a Quarta

De todos os tímidos, ela se fez maior
Impecável, possibilitou o dia seguinte
A teimosia, a eficaz, a diferença, a genética, o exótico
Laila não soube sorrir, quando era pra chorar
O medo ou a dor de que se faz ausente
Daquele que prevê um mundo

Não inconstante, ela sobreviveu
Entre paixões e clausura
Entre pessoas e olhares
Que reprovam, que condenam
Que lutam, que choram
E aprendem que o amanhã
É sempre insano, é sempre mistério

Laila aprendeu a fugir e a encontrar
Aprendeu que a poesia não é coisa de gente feliz
Ela quis mudar!
Mas ninguém muda
Ninguém atende ansiosamente a telefonemas pelos quais não esperou

Menina! Ainda não sabe
Que as comédias românticas americanas
Não são reais
Que as lutas não são em vão
Que toda paixão parece ser o grande amor de uma vida
E quase sempre não é!

Atrás da fatal e atraente “normalidade”
Pensou em ser moralista
Não conseguiu.
Pensou em ser objetiva
E escreveu poesia!
Pensou mesmo em ser
Só Laila...
Mas ser só Laila
É enlouquecer ou carregar consigo todas as dores da humanidade
Então por fim, pensou em ser má.
Mas maldade não entra em coração de POETA


Tiara Sousa

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Agora Foi

Exatamente como não deveria ser, foi “Agora Foi”. Numa ilha qualquer, em qualquer direção. Um povo que não ainda não sabe votar, uma gente sem memória, uma elite sem consciência, uma simplicidade sem beleza, uma classe média que só defende seus próprios interesses, uma volta triunfante e abominável e uma direita completamente errada. Doeu, doeu no sonho de crescimento, no embalo de uma esperança, na virtude de um comunista e na falsa democracia, tão falsa que irá dar leite em pó pra enganar a fome, porque a fome vai continuar, e irá falar bonito pra enganar a dor, que irá permanecer, e quantas pessoas terão de adoecer pra um belo hospital acontecer, quantos Castelãos serão preciso pra endividar a cidade, porque uma bela obra chama a atenção e chamar atenção reelege, quantos humildes ficarão desempregados, pra classe média se favorecer, mas como saber, mas como ajudar, mas como mudar, se pra “eles” o interessante é que o povo continue a não saber votar.
A ditadura, o militarismo, o coronelismo, e um belo discurso, uma campanha cara, sem paixão, sem emoção, sem respeito e com dinheiro é claro, muito dinheiro e alianças, por que o povo não quer, precisa, o povo não tem, merece, o povo ludoviscence vai, “agora vai” enxergar a realidade e daqui há uns anos esquecer novamente o que dói, o poder de poder, a ganância, o medo, o mal.
Serão quatro anos, e quantos anos mais, serão quatro longos anos, de guerras disfarçadas de paz.
Tiara Sousa

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Amizades


Amigos são pedaços de nós que encontramos pela vida, ora fácil, ora ferida, horas e dias, dias e meses, meses e anos.
Dos amigos que tenho, guardo comigo todas as faces, pessoas tem defeitos, amigos tem verdades.
Os amantes se despem pra se descobrir, os amigos se despem pra se ajudar e o diferente mora exatamente no sentido de amar.
Quanta nobreza amar alguém que não se é amante, que não se é família, que apenas é, porque sem nenhum interesse banal, incontrolável, o amor é reconhecido pela cumplicidade, mais do que pela entrega, pelo diálogo, mais do que pelo momento, pelo real, mais do que pela fantasia, pelo até logo mais do que pelo adeus.
Toda verdadeira amizade é pura e dura tempo suficiente pra se eternizar dentro de nós.
Ajudar alguém, ser ajudado por alguém, ouvir alguém, ser ouvido por alguém, é mais do que podemos ter, é aquilo que podemos ser.
Amizades são como canções belas, são letras simples, com melodias raras que nos marcam e nos exaltam.
Tiara Sousa