Texto dedicado a Isabelly e a todas as meninas e mulheres
reais...
A
primeira vez que Isabelly disse eu te amo, tinha 16 anos e estava na porta de
casa com o namorado. Ela quis pedir socorro mas a voz não saía, quis fugir
mas as pernas não se moviam, quis gritar
mas não tinha forças, ela o via e via todas as histórias românticas que leu
desde menina, podia ouvir o próprio coração batendo descompassado. Por algum
motivo se ela tentasse explicar tudo o que sentia ali seria mais abstrato do que
somente dizer. Então ela disse enquanto ele a beijava abaixo da orelha e
segurava a sua mão... Eu te amo. Para ela aquilo foi mais do que se expressar,
foi a realização de uma fantasia, foi a autoria de um soneto.
Eu
não. Eu nunca disse...
E
eu amei, amei cada carta que você idealizou mas não me escreveu, cada canção
que te fez pensar em mim mas não me dedicou, cada parte da tua consciência que
eu elevei a nós, mas nunca passou de somente tua. Amei a tua cor favorita, a
tua bermuda de sempre, o teu lábio superior e o teu lábio inferior e cada beijo
verdadeiro que você me tomou e nunca devolveu. Tudo em você era lírico, um dia
você sentou comigo num banco de praça e contou uma história que alguém te
contou, e só pelo fato de tê-la dividido comigo, aquela história triste foi a
mais alegre de todas as histórias que eu já ouvi.
A
primeira vez que Laura disse eu te amo, tinha 23 anos, estava abraçada com o
namorado na cama, estavam nus e exaustos, então ela pensou que naquele momento
não havia nenhum outro lugar no mundo em que gostaria de estar, sentiu um
aperto no peito e as lágrimas escorrerem do seu rosto como se ela guardasse um
segredo e fosse insuportável não poder dividi-lo, o apertou ainda mais contra
seu corpo e disse... Eu te amo. Para ela aquilo foi muito mais do que se abrir,
foi um grito de liberdade, um ato de rebeldia.
Eu
não. Eu nunca disse...
E
eu amei, amei os teus sapatos, a tua língua, o teu gosto, o teu corpo, a tua
ereção, os teus péssimos modos, amei a tua mania de estalar os dedos e os teus
dedos, todos eles. Tudo em você era libidinoso, um dia você me olhou da cabeça
aos pés com minúcia, desejo, calma e desconforto, e eu olhei para os seus olhos
que pegavam fogo, depois virou-se e saiu sem dizer uma palavra, sem me dar um
beijo sequer, nem mesmo um casto, eu nunca contei a ninguém mas aquele olhar
foi o melhor sexo da minha vida e nem precisou passar de apenas um olhar.
A
primeira vez que Carolina disse eu te amo, tinha 27 anos, estava na sala
folheando uma revista de moda enquanto o namorado assistia futebol com os
amigos, e então o time deles fez um gol e ele comemorou com tanta avidez, que a
notar a alegria que ele sentia ela se alegrou mais do que ele, pois se alegrou
por ele. Ela então sentiu a necessidade de dizer, foi até onde ele estava e sussurrou
em seu ouvido... Eu te amo. Para ela aquilo foi mais que uma constatação, foi
uma verdade bonita, como poucas verdades do seu tempo.
Eu
não. Eu nunca disse...
E
eu amei, amei a cor do teu cabelo, o teu sorriso, a tua barba bem feita, a tua
barba mal feita, amei cada uma das tuas conquistas, a tua voz, o teu silencio.
Eu nunca fui um pouco tua, fui um pouco dele, um pouco daquele, tua não, tua eu
fui inteira, completa. Tudo em você era realeza, você vestia branco e parecia
um príncipe, vestia preto e parecia um príncipe, vestia nada e ainda parecia um
príncipe.
Outro dia alguém me
perguntou se eu já disse eu te amo... Eu falei que sabia o que não era amor e
que isso me bastava para imaginar o que era. E imaginei... Mas a verdade é que
nunca... Nunca fui Isabelly, nem Laura, nem Carolina. Fazia tempo que eu não
lembrava... Eu nunca disse eu te amo. Eu nunca disse. Tiara Sousa