Sejam bem vindos ao Alternativo, um lugar de cronicas e contos. Levando até vocês uma dose de cultura, diversão e entretenimento. Os textos são atualizados todos os domingos. E aí o que estão esperando pra começar a frequentar esse sedutor mundo virtual?
terça-feira, 10 de abril de 2012
Enquanto houver tempo
Ainda há tempo de colorir os cadernos, inventar formas com massas de modelar e colecionar tampas de refrigerantes. Há tempo de temer a entrega do boletim, esquecer o dia da semana e esconder-se atrás de super-heróis e princesas. A infância não acabou.
Ainda há tempo de colecionar fotos de artistas, se apaixonar por professores, fantasiar ou realizar com os populares da escola e amar perdidamente quem sequer se tocou. Há tempo de ler os horóscopos todos os dias, fazer testes de revistas teens e prever que o final do mundo é não ir a uma determinada festa ou a um show. A adolescência não acabou.
Ainda há tempo de conhecer lugares novos, de mudar de opinião, de assimilar informações, de se encontrar em amores, de protestar, de gerar vida. Há tempo de cultuar a natureza, temer um primeiro encontro ainda que seja o centésimo primeiro encontro da vida, fazer amor pela manhã e aprender com os erros e os finais. A juventude não acabou.
E se acabarem a infância, a adolescência e a juventude, ainda haverá tempo para lembrar dos cadernos coloridos, das paixões por professores, dos lugares que conhecemos. Ainda haverá um dia que seja para produzirmos lembranças e contarmos histórias e nos descobrirmos numa vida que nunca sabe do tempo e mesmo assim sempre perceber que ainda há tempo, enquanto aguardamos a beleza do nunca decifrado amanhã.
E enquanto houver tempo, haverão sorrisos e choros e verdades e vida, e teremos tanto que o tempo há de passar grande como o amor, simples como o gostar, real como a dor e completo como o toque.
Tiara Sousa
domingo, 1 de abril de 2012
Conto do desamor
Deixa passar essa noite, esse exibicionismo da lua, esse brilho hipnotizante das estrelas e as cortinas do teatro se fecharem. Deixa eu não estar presente pra você dizer o quanto me ama, pra declarar-se ao vento e transar com o vazio que eu deixei ou com alguma mulher que nunca e nem que eu permita será eu.
Conforme-se em me observar de longe, em não poder comemorar meus anos, minhas conquistas e nem caminhar de mãos dadas comigo pelas ruas que eu faço de passarela do meu conhecer.
Abandone seus discursos que tanto me atrairam e me trairam, abandone o celular simples, o geito meigo, o olhar triste e perdido, a bicicleta velha que tanto me encantaram e encaixe-se de uma vez por todas nesse universo importante que não me convence, nem me encanta.
Provoque em mim, não fantasias, nem suspiros, nem vontades, nem saudade, esse tempo já passou. Provoque apenas compaixão, as vezes ainda consigo sentir a sua necessidade de chamar minha atenção, porém é só o que sinto.
Não me espere, nem me procure, nem deposite em mim qualquer esperança, tesão ou saudade. Aquele tempo passou, aquela menina cresceu, já sentiu de verdade, já olhou de verdade, já tem seus próprios conceitos, suas histórias, já conheceu o fundo do poço e o pico da montanha, já caminhou desorientada pelas mesmas praias que você outrora caminhou, já te sentiu, não sente mais.
Perdoe-me, meu não, meu nunca mais, não é uma afronta, mágoas soltas, vingança, é apenas desamor. Tenho certeza que não foi escolha sua a vida que tens agora, mais saiba também não escolhi deixar amá-lo, é que um dia acordei e você não era mais o homem dos meus sonhos, não sei se foi o tempo, a minha ou a sua mudança, mas foi dessa maneira.
Então deixa passar essa noite, esse exibicionismo da lua , esse brilho hipnotizante das estrelas e as cortinas do teatro se fecharem, você vai ficar bem, essa dor vai passar, acredite, eu já senti dores mais fortes, já tive amores maiores, já velei meu coração e tudo passou, com você vai passar também, você vai chegar em casa e aprender a gostar da sua realidade como eu gosto da minha e vamos nos ver por aí pelo resto de nossas vidas como duas pessoas que se amaram em épocas distintas, e constatar que tinha de ser assim.
Tiara Sousa
domingo, 18 de março de 2012
O novo tempo fútil
E quem diria que esse tempo iria chegar, o tempo em que os jovens beijam pra sentir tesão, um tempo de amores presos e sexo livre, de dores recolhidas e sensibilidades intactas por falta de uso. Quem diria que esse tempo chegasse, um tempo em que pais não lêem mais contos de fadas a seus filhos, com medo deles vislumbrarem o amor, um tempo onde os terapeutas do momento são sexológos e familias se formam não por uma necessidade, mas por uma obrigação, tempo de políticas injustas e protestos escassos. Esse tempo chegou, como um barco parado no cais, como a corrente sobre o portão, como a fome que não é fome, é só vontade de comer. Aquela idéia de amor livre ficou para trás, o tesão sentido antes do beijo também, até a dor infinita de um segundo ou um século, a paixão desmedidade de Romeu e Julieta e o sonho, que de tão sonhado, era proclamado e acreditado e real. Mas fazer o que, se hoje os jardins não são mais tão importantes, se as redes sociais acabaram com o mistério da sedução, e ninguém mais espera cartas de amor do carteiro, que só sabe trazer contas. Então façamos nada, o que agora é mesmo comum, que a natureza sofra, que o sentimento suma, que o envolmimento corra, esse é o tempo de fazer nada, um tempo em que ter 20 ou 70 anos, tanto faz, é tudo igualmente ocioso, novidades são para jornais, tudo que esperam da vida, esperam, de inusitado só ficou o ritmo das ondas do mar, a intensidade da chuva, e os loucos, que presos já não tem mais voz. O tempo dos livres já foi, foi com Shakeaspeare, Che Guevara, Cazuza, Renato Russo, Cartola, Noel Rosa, Ray Charles, Olga Benário, Anita Garibaldi, foi e se voltou, voltou escondido numa geração que se esconde, por que é tudo que sabe e aprendeu como belo. O novo tempo tem muitos decotes e pouco feminismo, tem muitos amantes e pouca paixão, tem muita solidão e pouco poema, o novo tempo é a fútil juventude, a fútil internet, a fútil proteção e corações escondidos de medo do que não é fútil e nem familiar. Contemplem o seu tempo ou mudem-o! Esse era pra ser o tempo em que o sexo seguro é o com camisinha, mas torna-se o tempo em que o sexo seguro é o sem amor. Que tempo fútil, que jovens medrosos, que sonhos guardados, que medos grandiosos, que vontade de ter vivido há anos e anos atrás.
Tiara Sousa
segunda-feira, 12 de março de 2012
Essa tal liberdade
Alguém falou que é tudo mentira, o vento, a lua, as folhas das árvores a balançar, a página em branco. O amor próprio como designo e até a normalidade, seja lá o que ela for.
As pessoas passam a vida procurando alguma coisa que valha tão a pena, que se mostre tão grandiosa a ponto de prendê-las. Seja um grande amor, uma realização profissional, uma amizade, uma crença, uma utopia, mas que seja grande a ponto de acelerar o coração, de congelar os passos.
Mas que procura é essa, que esquinas devemos dobrar, em que rios devemos mergulhar, por qual motivo apenas em poemas é que o Sol sorri? Pois se algo congela os passos, prende, e que prisão se almeija mas que um mundo sem fronteiras, que um coração sem amarras, que o topo de uma montanha? Porque passar a vida procurando uma prisão?
A liberdade não é tão confortável como a própria cama, braços familiares, caminhos já percorridos. A liberdade é a puta das ações, pode morar em qualquer lugar, nadar em qualquer rio, sentir de toda forma e nem sempre é o lugar certo, o rio seguro, o sentimento nobre.
E amedronta essa tal liberdade, faz as pessoas desejarem o óbvio, faz querê-las até o fim um grande amor, objetivos facilmente realizáveis, caminhos curtos e as mesmas histórias pra contar. Pois se a vida é de vários grandes amores, maior a possibilidade de decepções, se houverem objetivos difíceis, maior a possibilidade de não conseguir e se andar por caminhos curtos é bem mais fácil não se perder.
Ah! Se as pessoas enfrentassem o medo e se entregassem a essa tal liberdade! Saberiam que nada é mentira, nem o vento, nem a lua, nem as folhas das árvores a balançar, nem a página em branco, sempre e sempre a espera de uma nova história.
Tiara Sousa
quarta-feira, 7 de março de 2012
A essas milhões de mulheres no mundo
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque, fizeram uma grande greve, reivindicaram melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência, as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato desumano. Somente em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU. Mesmo com todos os avanços, os salários baixos, a violência masculina, a jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional continuam a fazer parte da realidade feminina.
No que se tratando de Brasil, podemos considerar o dia 24 de fevereiro de 1932 como um marco na história da mulher brasileira, pois nesta data foi instituído o voto feminino, as mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo. Nas últimas décadas as mulheres foram para as universidades e passaram a disputar espaço no mercado de trabalho, além de optarem pelo momento mais oportuno de engravidar através do desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros.
Mesmo no ano de 2012 e com todas essas conquistas, ainda há muito preconceito, machismo e intolerancia em relação as mulheres. O sexo ainda é tabu, assim como o comportamento, a maneira de falar e se portar. Além disso, mesmo com a funcionalidade da lei Maria da Penha, que tem o intuito de proteger as mulheres da violencia doméstica, 1 em cada 5 mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de violencia por parte de algum homem, conhecido ou desconhecido.
Infelizmente e para piorar tudo, os meios de comunicação propagam cada dia mais a imagem da mulher objeto, com músicas apelativas e de teor sexual, jovens seminuas, danças indescentes e pouquíssimo conteúdo. É uma verdadeira regressão as conquistas já realizadas.
Mesmo e apesar das tristezas da realidade, milhões de mulheres no mundo inteiro comemoram o dia 8 de março com orgulho. Milhões de mulheres no mundo inteiro enfrentam violencia, preconceito, machismo, injustiças trabalhistas. Milhões de mulheres no mundo inteiro criam suas filhas para ter coragem e seu filhos para ter respeito. Milhões de mulheres no mundo inteiro assumem seus desejos, suas fraquezas, suas possibilidades sem vulgaridade e apelação. E é a essas milhões de mulheres no mundo que desejo um Feliz Dia Internacional da Mulher.
Tiara Sousa
Assinar:
Postagens (Atom)




